quarta-feira, 19 de junho de 2013

ENCARTE BÍBLICO DIGITAL - José Geraldo Lima e Valdeci de Oliveira-Biro do CEBI-Volta Redonda

ENCARTE BÍBLICO DIGITAL DO CONSÓRCIO BÍBLICO PASTORAL
 DA DIOCESE(ICAR)- BARRA DO PIRAÍ VOLTA REDONDA-RJ


Produzido por José Geraldo Lima e Valdeci de Oliveira-Biro do CEBI-VR

14° CÍRCULO BÍBLICO DE JUNHO: LUCAS 7,36-50


LEMA: E Jesus disse à mulher: “Seus pecados são perdoados”.

PREPARAR O AMBIENTE: Um pano estendido no chão, sobre ele um crucifixo, uma vela acesa, a Bíblia Sagrada aberta no texto que vai ser lido, desenho de uma mesa, água perfumada, um pouco de óleo, uma faixa de cartolina escrita o lema do encontro.

ACOLHIDA: Animador (a) – A vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo que nos ama e perdoa. Saudamos com alegria todas as pessoas reunidas, presente neste encontro de fé na mesma esperança. Sintamo-nos carinhosamente acolhido (as) na ternura do nosso Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

CANTO: Juntos como irmãos (Cantando a Esperança nº 346).

Leitor (a) –“A oração cristã chega até ao perdão aos inimigos. Transforma os discípulos (as) configurando-os ao seu Mestre. O perdão é o centro na oração cristã. O perdão é fonte de testemunho em nosso mundo, em que o amor é mais forte que o pecado [...]. Não há limite nem medida para o perdão que é essencialmente Divino e Humano. Tratando-se das ofensas (pecados segundo Lc 11,4, ou dívida segundo Mt 6,12), de fato somos sempre devedores. Não deveis nada a ninguém , a não ser o amor mútuo (Rm 13,8). A comunhão da Santíssima Trindade é a fonte e o critério da verdade de toda relação. Esta comunhão é vivida na oração, sobretudo na Eucaristia” (CIC).

CANTO DE ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: O Evangelho é Boa Nova (Cantando a Esperança nº459).
UM OLHAR PARA O EVANGELHO DE LUCAS 7,36- 50.




PARA REFLETIR:

1)Os preferidos de Deus são aquelas pessoas que muitas vezes julgamos como perdidos e irrecuperáveis. Comentar e tirar as conseqüências.

2)A partir da leitura desse texto, qual a missão que nos dia de hoje Deus convida para realizarmos? Que compromissos têm que assumir como Batizados?

PRECES: Animador (a) – Convidar as pessoas rezarem as preces inspiradas na leitura bíblica e na reflexão das perguntas, Em seguida rezar o Pai Nosso.

CELEBRANDO A VIDA: Deus não precisa de nada. Mas exige algo que ele quer. A nossa conversão. Não devemos fundamentar a nossa fé no legalismo de nenhuma Lei Judaíca de Moisés e sim na lei maior do ágape do Deus de Jesus. “Amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês” (Jo15,12b). Deus deseja ser servido nos seus filhos e filhas que estão de algum modo sofrendo. Esse serviço aos necessitados, mais do que qualquer rótulo que tenhamos o direito de usar, é o critério para definir nossa proximidade com o Pai que a todos cuida como uma família, como o Filho que por todos deu sua vida aos irmãos, com o Espírito Santo que a todos quer levar  santificação através do amor.

OREMOS: Deus de toda consolação e, Pai de misericórdia que não desejais a morte, mas a conversão de todos. Venha em auxílio de vosso povo, para que se converta e viva na prática da bondade. Ouvindo vossa Palavra, ajudai-nos a reconhecer nossos pecados e a dar-vos graças pelo perdão recebido. Para o nosso exame de consciência, preparando-nos para a confissão de nossos pecados, deixemo-nos guiar pela Palavra de Deus. Amém!

BÊNÇÃO: O Deus que fez Jesus ressurgir da morte nos ressuscite para uma vida nova, nos encha de amor e de esperança e nos dê a sua paz agora e para sempre. Amém!
CANTO: Vós Sois o Caminho (Cantando a Esperança nº 610).
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.
TODOS: Para sempre seja louvado!



15° CIRCULO BÍBLICO DE JUNHO LUCAS  8,1-15.


LEMA: “O semeador saiu para semear a semente” (Lc 8,5).

PREPAR O AMBIENTE: Estender um pano no chão, sobre ele um crucifixo, a Bíblia aberta no texto que vai ser lido, um vela acesa, flores, uma vasilha com semente, outra com terra, uma faixa escrita com o lema do encontro.

ACOLHIDA: Celebramos nossa caminhada, medos, dúvidas e nossas alegrias. No coração fica a certeza de que Jesus está conosco, todos os dias, até o fim dos tempos. Celebramos também nossa decisão de estar com Ele e acolher, na terra da nossa vida, a semente do Reino que o Pai sempre lança em nós. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

CANTO: O semeador corajoso (Cantando a Esperança nº 702).

Leitor (a) – A semente é sempre boa, a terra às vezes não está bem preparada. Mas o agricultor sempre está disposto a retirar as pedras, roçar os espinhos, espantar as aves e dar a vida pela roça. Com toda a nossa força, vamos espantar as aves e dar a vida pela roça. Com toda a nossa força, vamos realizar a festa do Reino que já está no meio de nós. Preparemos o terreno do nosso coração, para acolher a semente que vai ser lançada no coração dos Filhos (as) de Deus!

CANTO DE ACLAMAÇÃO AO EVANGLHO. (Cantando a Esperança 418 nº 4)
UM OLHAR PARA O EVAGELHO DE LUCAS 8,1-15.

1) Olhando para a parábola, comente em que tipo de terreno nós  representamos?

2)Quais são os desafios e as principais dificuldades que impedem a nossa comunidade de dar os frutos que o Evangelho pede e promete?

PRECES: Animador (a) – Convidar as pessoas rezarem as preces, inspiradas no Evangelho anunciado, e nas perguntas para reflexão. Em seguida rezar o Pai Nosso.


CELEBRANDO A VIDA: O Reino de Deus se constrói na medida em que vão se realizando os sonhos de Deus: a vida mais forte, mais fraterna, a libertação das pessoas, superando todo tipo de desigualdade social, para isso, a nossa responsabilidade como batizados, é semear a Palavra de Deus e buscar a força dele, para que a nossa fé estejam inseridas na vida e na história.

OREMOS: Senhor nosso Deus, a semente é uma sinal da promessa de vida, assim como nós. Precisamos ter condições para desenvolver os dons e carismas que nos destes. Daí-nos Senhor a força do teu Espírito Santo, para tornar a nossa vida bonita, perfeita, coerente e obediente a tua Palavra, que nos oriente para sermos um terreno fértil, que possa produzir muitos frutos. Amém!

BÊNÇÃO: Pela força da Terra, mãe da vida, o Deus do universo abençoe a nós e a toda as criaturas, que sejam verdadeiros semeadores de tua Palavra, com o seu AXÉ, agora e sempre. Amém!
CANTO: Põe a semente na terra (Cantando a Esperança nº 486)
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.
TODOS: Para sempre seja louvado.


16° CÍRCULO BÍBLICO DE JUNHO: LUCAS 8,40-56.


LEMA: “Jesus disse a mulher: Minha filha, sua fé curou você. Vá em paz”.

PREPARAR O AMBIENTE: Estender um pano no chão, sobre ele um crucifixo, uma vela acesa, a Bíblia Sagrada aberta no texto que vai ser lido, flores, uma estampa de uma mulher apresentando doente, uma faixa escrita com o lema do encontro.

ACOLHIDA: Caríssimos irmãos e irmãs, Deus nos acolhe na sua bondade eterna e na sua misericórdia como filhos (as) queridos, principalmente os doentes. Assim, para sermos capazes de acolher as pessoas, antes de qualquer coisa, temos que ter presente à certeza de sermos amados por Deus. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
CANTO: Eu vim para que todos (Cantando a Esperança nº 625).



Leitor (a) – A doença é um apelo à fraternidade e a igualdade, pois atinge a todos: ricos, pobres, crianças, jovens, idosos. Com a doença, escancara-se diante de nós a profunda igualdade da nossa impotência diante da vida. Diante dessa realidade, a atitude mais lógica é a da fraternidade e da solidariedade: novo nome do amor. Somos amados e escolhidos para participar da construção do Reino de Deus, a fim de que “todos tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

CANTO DE ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Vai falar no Evangelho (Cantando a Esperança nº 458).
UM OLHAR PARA O EVANGELHO DE LUCAS: 8,40-56.

PARA REFLETIE:

1) Jesus diz à menina que se levante. O que Jesus precisa dizer para você hoje se levantar? E a comunidade, como está seu estado de animo na fé?

2) Comente esta afirmação: “A sociedade costuma dar mais valor aos bens materiais do que à vida humana!”. E nós comungamos dessa mesma odéia?

PRECES: Animador (a) – Convidar as pessoas rezarem as preces inspiradas na leitura do Evangelho e nas perguntas de reflexão. Em seguida rezar o Pai Nosso.
CELEBRANDO A VIDA: Entre Jesus e o povo há uma sintonia perfeita. O povo quer vida, e Jesus dá em abundância. Essa sintonia é resultado do amor que existe entre Jesus e o Pai: “O Pai me ama porque eu dou a minha vida para retomá-la de novo. Ninguém tira a minha vida; eu a dou livremente. Tenho poder de dar a vida e tenho poder de retomá-la. Esse é o mandamento que recebi do meu Pai” (Jo 10,17-18).

OREMOS: Senhor, nosso Deus, que nos criastes por amor e nos redimiu em vosso Filho Jesus Cristo para que tivéssemos vida em abundância, concedei-nos a graça de fazer as escolhas certas, para que nossos projetos de vida possam ser vividos por amor de vós e de nossos irmãos e irmãs, especialmente dos que mais sofrem. Vós que viveis e reinas para sempre. Amém!

BÊNÇÃO: Senhor, pedimos a tua bênção nesse final de encontro, derrama sobre nós a luz do teu Espírito Santo, nos momentos difíceis de nossa vida, de nosso sofrimento. Volte seu olhar misericordioso para nós e nos dê a cura de todos os males. Amém!
CANTO: Caminhando vai (Cantando a Esperança nº655).
Louvado se nosso Senhor Jesus Cristo.
TODOS: Para sempre se louvado.


17° CÍRCULO BÍBLICO DE JUNHO: LUCAS 9,1-17.


LEMA: Jesus disse: “Vocês é que têm de lhes dar de comer” (9,13).

PREPARAR O AMBIENTE: Estender um pano no chão, sobre ele um crucifixo, uma vela acesa, a Bíblia aberta no texto que vai ser lido, flores, um pedaço de pão, depois partilhar entre as pessoas, (criar um espaço), Uma cartolina escrita com o lema do encontro.

ACOLHIDA: Irmãos irmãs, sejam todos bem vindos, para mais um encontro de fé e de experiência e vida, com a Palavra de Deus, que hoje nos propõe a partilhar o que somos e que temos e que o Senhor nos reine e com sua bondade, nos mostra o caminho da verdadeira conversão. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
CANTO: Alegre, vamos (Cantando a Esperança nº 349).

Leitor (a) – A cena dos pães se tornou eterno na Eucaristia Cristã, como gesto que relembra o dom de Deus repartido entre todos, para que todos tenham vida. Por essa razão a Eucaristia é sempre uma denúncia e um anúncio. Denúncia dos projetos econômicos baseados na acumulação da ganância, que gera a fome e a miséria, e anúncio do dom partilhado, único meio de todos terem acesso aos bens que Deus destinou a todos. Eucaristia é, portanto, julgamento e salvação. Oxalá (tomará Deus) não esteja sendo julgados e condenados quando dela participamos.

CANTO DE ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Tua Palavra é vida, Senhor (Cantando a Esperança nº 760).
UM OLHAR PARA O EVANGELHO DE LUCAS 9,1-17.






PARA REFLETIR:

1) Qual sentido profundo da partilha dos pães hoje? O que partilha do pão enquanto comunhão traz de conseqüência para a sociedade baseada no lucro da ganância desenfreada?

2) Os sucessivos planos econômicos, nacionais e internacionais, visam de fato repartir a riqueza nacional e mundial, ou os que têm mais aumentam mais suas riquezas, e os que têm menos sempre menos?

PRECES: Animado (a) – Convidar as pessoas rezarem as preces inspiradas na leitura bíblica anunciada e na reflexão das perguntas. Em seguida rezar o pai Nosso.

CELEBRANDO A VIDA: A luta pela vida tem também uma dimensão clara de participação política e luta pela transformação das estruturas morte.  Não basta operar no âmbito de nossa consciência pessoal e de nossas comunidades. É preciso perceber que todas as ações que fazemos se somam na construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna, onde todos tenham o direito de viver uma vida igualitária.

OREMOS: Senhor nosso Deus, graças te damos pelo dom da vida, pela alegria do encontro e pela solidariedade entre as pessoas. Agradecemos por este encontro de amor e partilha, pelas pessoas que aqui estão, por nossas famílias, pelos amigos e pelas companheiras de caminhada. Que a tua graça nos acompanhe em nossas lutas e sofrimentos e que teu Espírito inspire em nós ações de resistência e transformação para que, em conjunto queremos uma sociedade nova baseada na justiça, na paz e na solidariedade. Amém!

BÊNÇÃO: Senhor Deus da vida, queremos que seja sempre o Deus Conosco, animando nossos esforços, garantindo nossa esperança, alimentando nossa caridade fraterna. Queremos viver a partilha, a solidariedade e a fraternidade, Daí-nos forças para sermos testemunhas de uma vida sempre nova. Por Cristo nosso Senhor. Amém!

CANTO: Partilha (Cantando a Esperança nº 487).
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.
TODOS: Para sempre seja louvado.



18º CÍRCULO BÍBLICO DE JUNHO. LUCAS 9,18-36.


LEMA: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga” (Lc 9,18-36).

PREPARAR O AMBIENTE: Estender um pano no chão, sobre ele um crucifixo, a Bíblia aberta no texto que vai ser lido, uma vela acesa, flores, colocar uma estampa de Jesus Cristo (glorioso, transfigurado, ressuscitado), uma cartolina escrita com o lema do encontro.

ACOLHIDA: Animador (a) - Estamos aqui reunidos, para ouvir a proposta de Deus, que nos convida para o seu seguimento, porém, estar disposto a não nos acomodarmos. Jesus mesmo era um peregrino que deixava tudo para cumprir a missão que o Pai lhe confiara. Somos frágeis, mas queremos aceitar a proposta transformadora de Jesus. Deixemos nosso comodismo e juntos o seguiremos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
CANTO: Migrante (Cantando a Esperança nº 342).

Leitor (a) – Para seguir Jesus exige de nós a renúncia, isto é, deixar os próprios interesses para colocar o projeto de Jesus em primeiro lugar, tomar a cada dia a sua cruz, ou seja, enfrentar continuamente a posição, perseguição e marginalização. Seguir a Jesus, continuando a sua palavra e ação. Assim os discípulos (as) se tornarão digno do Salvador, e ganhará a verdadeira vida, que consiste em participar de toda a caminhada do Filho de Deus, até a glória.

CANTO DE ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Bendita Palavra do Senhor (Cantando a Esperança nº 759).
(UM OLHAR PARA O EVANGELHO DE LUCAS: 9,18-36).

PARA REFLETIR:

1) Quais os sinais que percebemos que o Reino de Deus já está no meio de nós? Milagres estrondosos que venha do céu? Ou sinais concretos de partilha, fraternidade, justiça social entre as pessoas! Comente?

2) Para estar no seguimento de Jesus, ele disse que precisamos renunciar. Explique o que significa renunciar a si mesmo? As nossas comunidades renunciam alguma coisa?


PRECES: Animador (a) - Convidar as pessoas rezarem as preces inspiradas na leitura bíblica e na reflexão das perguntas. Em seguida rezar o Pai Nosso.

CELEBRANDO A VIDA: Animador (a) - Jesus Cristo nos há de transfigurar conforme a sua existência gloriosa. Todos nós somos chamados a sermos filhos de Deus. Nosso destino verdadeiro é a glória que Deus nos quer dar. Ora, para chegar lá, (como Jesus) iniciar nosso “Êxodo”, nossa caminhada da fé e do amor fraterno, comprometido com a prática da transformação. O caminho é árduo, e as nossas forças parecem insuficientes. Às vezes parece que não existe perspectiva de mudança. Uma sociedade mais justa e mais fraterna pare sempre mais distante. Mas assim como os discípulos de Jesus, pela transfiguração no monte, puderam entrever a glória no fim da caminhada, assim sabemos nós que a caminha da cruz é a caminhada da glória.

OREMOS: Senhor sois o Deus da vida. Olhando para nós mesmos e vivemos o quanto ainda precisamos nos converter para sermos eficientes servos do teu Reino. Ajuda-nos Senhor a trabalhar sempre pela justiça, pela paz e pela igualdade social. Para isso, Senhor vem em nosso auxílio como filhas e filhos amados de Ti. Amém!
CANTO: Anunciaremos teu Reino (Cantando a Esperança nº 701).
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.
TODOS: Para sempre seja louvado.

Produzido por José Geraldo Lima e Valdeci de Oliveira-Biro do CEBI-VR

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

MESTERS, C.; OROFINO, F. Pé no chão, sonho no coração. Olhar no espelho das primeiras comunidades. Círculos Bíblicos dos Atos dos Apóstolos (1a parte: At 1,1 a 11,18). São Leopoldo: CEBI, 2001, 146 p.
MOXNES, H. A Economia do Reino: Conflito Social e Relações Econômicas no Evangelho de Lucas. Traduzido do inglês por Thereza Christina F. Stummer. São Paulo: Paulus, 1997, 166 p.
RICHARD, P. O Movimento de Jesus depois da Ressurreição: Uma Interpretação Libertadora dos Atos dos Apóstolos. Traduzido do espanhol por José Afonso Beradin. São Paulo: Paulinas, 1999, 223 p.
RIUS-CAMPS, J. O Evangelho de Lucas: O Êxodo do Homem Livre. Traduzido do espanhol por João Rezende Costa. São Paulo: Paulus, 1997, 363 p.
STORNIOLO, I. Como ler o Evangelho de Lucas: Os Pobres Constroem a Nova História. 5. ed. São Paulo: Paulus, 1997, 222 p.

terça-feira, 18 de junho de 2013

O CRISTIANISMO PRIMITIVO: COMUNIDADE DE CORINTO-1°PARTE - Biro - Cebi Volta Redonda


ARTIGO DO MÊS DE JUNHO: 

O CRISTIANISMO PRIMITIVO: COMUNIDADE DE CORINTO-1°PARTE

A I° Carta aos Coríntios, retrato vivo de uma comunidade cristã nascente, quando do primeiro contato do Cristianismo com o mundo ocidental. Tudo isso, acontece graças ao fundador do cristianismo depois de Cristo: Paulo de Tarso. O vocábulo pneumático (= dons do Espírito), que aparece nos títulos de 12,1; e retornam 14,1 – O termo técnico do mundo helenista para indicar fenômenos prodigiosos e extáticos -, nos coloca no caminho certo. O Espírito era entendido como força divina envolvente, e como doador de forças extraordinárias e espetaculares, capazes de levar o ser humano a superar os próprios limites e a alcançar performances sobre humanas. Na Igreja de Corinto, experimentava-se com entusiasmo fenômenos de êxtase, aconteciam manifestações de glossolalia, que fazia ressoar na assembleia vozes incompreensíveis, havia discursos inspirados, fruto da iluminação divina. O passado pagão dos fiéis também leva em conta a uma identificação reducionista dos carismas, ou dons do Espírito, com fenômenos numinosos, extáticos e extraordinários (12,2). As primeiras consequências lógicas de tal concepção repercutiam em diversas direções. O carisma era próprio do individuo, levando-o a fechar-se em si mesmo e isolando-o dos outros. Constituía uma realização excepcional do individuo, até mesmo numa divinização. Havia a interpretação individualista do Espírito e de seus dons. A realidade carismática era dissociada da realidade comunitária da Igreja. Esta permanência muda e passiva diante da explosão dos carismáticos. O espanto e a maravilha não eram construtivos, e nem ajudavam o amadurecimento no campo da fé. A segunda consequência lógica: os possuidores de carismas extraordinários deviam constituir uma minoria privilegiada. Determinou-se, uma nítida discriminação entre esses poucos privilegiados e os demais. Chegou-se a traçar uma linha de demarcação separando os fiéis uns dos outros, atribuindo-se a uns um estatuto de superioridade e confinando os outros num gueto de inferioridade. Em vez de unir, o espirito terminava por dividir. Havia cristãos de primeira classe - possuidores de carismas espetaculares – cristãos de segunda classe, reduzidos a um estado de privação do Espírito. Desse modo, era inevitável a polarização entre fiéis superiores e fieis inferiores. A uma consciência orgulhosa correspondia, na outra ponta, um estado de humilhante resignação. Paulo recorrerá á comparação com o organismo humano para combater tanto o complexo de superioridade (complexo de Deus) dos carismáticos, quanto o complexo de inferioridade (complexo de pobretada e ninguenzada) dos demais (12,12 ss.), afirmando cm ênfase que o corpo, pela vontade do Deus Criador, não se dá nenhuma divisão (schisma: 12,25). A insistência do apostolo sobre o caráter transitório e imperfeito dos carismas (13,8-13) mostra que em Corinto havia um processo de supervalorização maximalística dos mesmos. Devem ver neles a realização plena da realidade salvífica. O carismático, invadido pelas forças extraordinárias do Espírito, só podia sentir-se como alguém que já atingiu a meta. Libertando dos vínculos limitativos da vida terrena, e transformado num ser divino, nada tinha a esperar.
 Valdeci de Oliveira-Biro-Coordenador do CEBI-VR/ Assessor Bíblico GAEB- da Área Norte. Comunicador da Rádio Sintonia do Vale: Programa Palavra & Mensagem. Dom.10 às 12 h
valdecideoliveira@hotmail.com
ENCARTE BÍBLICO DIGITAL DO CONSÓRCIO BIBLICO PASTORAL 
 DA DIOCESE(ICAR)- BARRA DO PIRAÍ VOLTA REDONDA-RJ

 AGENDA - CEBI - VOLTA REDONDA  
DIA 27 DE JULHO
HORARIO 8-16 h      
FORMAÇÃO BIBLICA
PRINCIPAIS GRUPOS E PERSONAGENS NO EV. DE LUCAS           
ASSESSOR: BIRO     
 LOCAL: SÃO FRANCISCO DE ASSIS-RETIRO

DIA 10 DE AGOSTO
HORARIO: 9-11 h    
REUNIÃO DO CEBI-VR   PREPARAÇÃO PARA O MÊS DA BIBLIA- 2013     
BIRO/CLAUDIA/MARCO             
LOCAL: CÚRIA DIOCESANA

1 A 30 DE SETEMBRO
MÊS DA BÍBLIA ACONTECENDO EM VOLTA REDONDA  
Tema: Discípulos (As) E Missionários (As) Em Cristo Segundo Ev. Lucas.
Lema: “... Celebrar A Volta Deste Seu Irmão E Alegrar-Nos,..., Estava Perdido E Foi Achado”. (Lc 15,32)              
VÁRIOS ASSESSORES
REGIÃO PASTORAL DE VR

DIA: 14 DE SETEMBRO
HORARIO: 9-11 H    
REUNIÃO DO CEBI-VR  
PREPARAÇÃO ARTICULAÇÃO SEMINARIO BIBLICO DO CEBI.
ASSESSORES:
BIRO/CLAUDIA/MARCO             
LOCAL: CÚRIA DIOCESANA

19-20 DE OUTUBRO       
SEMINÁRIO BÍBLICO DO CEBI-VRSENTIDO DAS PALAVRAS TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA E SUAS FACETAS NA ATUALIDADE.
GINÁSIO AMARO INÁCIO.
OFICINAS BIBLICAS COLÉGIO PARÁ OU AMARAL PEIXOTO

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Magnificat: O Cântico da Bem-aventurada. Fernando Henriques - CEBI Méier

CEBI MÉIER
Comunidade Renato Cadore


Magnificat: O Cântico da Bem-aventurada. 



Fernando Henriques
coordenador


“Meu coração se alegra com Javé, em Deus me sinto cheia de força. O arco dos poderosos é quebrado, e os fracos são fortalecidos” (Cântico de Ana, 1 Sm 2,1b.4).


O cântico de Maria é o cântico dos pobres que reconhecem a vinda de Deus para libertá-los através de Jesus. Cumprindo a promessa, Deus assume o partido dos pobres, e realiza uma transformação na história, invertendo a ordem social: os ricos e poderosos são depostos e despojados, e os pobres e oprimidos são libertos e assumem a direção dessa nova história (Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Editora Paulus, nota de rodapé a Lc 1, 46-56).

Lucas faz uma releitura do Cântico de Ana do Primeiro livro de Samuel, e coloca nos lábios de Maria o Magnificat. Trata-se de verdadeiro prólogo à Teologia da História dos escritos lucanos. Deus se revela libertador. E sua ação na história humana é reconhecida quando o seu braço divino age dispersando os homens de coração orgulhoso, depondo os poderosos de seus tronos e exaltando os humildes.

Como primeiro ensaio mariológico, o CEBI Méier vai focar o Cântico da Bem-aventurada. Nossa reflexão se guiará pelo texto de Maria das Graças Vieira (PNV 268), irmã catequista franciscana, mestre pela EST (Escola Superior de Teologia, São Leopoldo, RS). Ela procura nos mostrar que a crença nas transformações sócio-históricas de libertação dos oprimidos e dos excluídos tem no Magnificat, o cântico entoado por Maria, mãe de Jesus, uma de suas fontes mais inspiradoras.

No olhar profético da Maria que canta, refulge a ação salvífica e escatológica de Deus. Só assim podemos entender as profecias do Magnificat que, começando pela jovem Maria, têm sua culminância histórica na cruz e ressurreição do Filho de Deus, atualizando-se ainda hoje  cada vez que o pão é partilhado, a justiça se realiza e o pobre encontra-se com o Deus libertador que o salva de suas opressões.
Maria nos leva a entender que vai louvar a Deus e celebrar as maravilhas que ele realizou para nos confirmar na fé, consolar todos os pequeninos e fazer tremer todos os poderosos da terra. Maria não entoou este canto apenas para si, mas para todos nós, seguidores do caminho. 

O Magnificat é um cântico da comunidade dos pobres, mostra o motivo da encarnação e a razão da manifestação do Filho de Deus na história dos homens. Mostra-nos que o nascimento de Jesus é fruto do amor misericordioso de Deus que olhou a miséria de seu povo e veio em seu socorro.

O louvor a Deus e a alegria messiânica penetram as profundezas de Maria, sua alma e seu espírito. As obras divinas da salvação suscitam nela um canto de louvor a Deus, um hino de júbilo. Maria se conta entre os humildes, pequenos e pobres, aos quais os profetas e salmos tantas vezes prometem a salvação.

O louvor de Maria, iniciado por Isabel, não mais terá fim. Todas as gerações entoarão os louvores daquela Maria. Ela será sempre e por toda parte enaltecida.

Referência:
Livro-texto: “O Cântico da Bem-aventurada – uma interpretação do Magnificat em Lucas 1, 46-55”, Maria das Graças Vieira, Edição do CEBI – Série A Palavra na Vida PNV 268, 1ª edição, São Leopoldo, 2010.

sábado, 15 de junho de 2013

Introdução ao Estudo Bíblico no Rádio on line - fascículo 10 - Valdeci de Oliveira - BIRO - CEBI Volta Redonda

Introdução ao Estudo Bíblico no Rádio on line
PROGRAMA PALAVRA E MENSAGEM-RÁDIO SINTONIA DO VALE 99,3 FM,
DOMINGO 10 ÁS 12 h.

 
FASCICULO 10
VALDECI DE OLIVEIRA-BIRO
12/05/2013

II ° Sam 12,7-10.13: O Senhor perdoou o teu pecado, de modo que não morrerás.
Salmo 31,
1-2. 5.7.11: Eu confessei, afinal, meu pecado e perdoastes, Senhor, minha falta.
Gal 2,16. 19-21: Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim.
Lucas 7,36-8,3: Os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela mostrou muito amor.
O presente estudo tem como objetivo mostrar como a Bíblia deve ser entendida e estudada no seu âmbito natural com o Povo de Deus e em Comunidade de Fé.

"A Bíblia é ao mesmo tempo humana e divina, exige de nossa parte a tarefa de interpretá-la."

Texto do dia 16 DE  JUNHO 2013.





Comentários

Na primeira leitura, Davi, o rei eleito por Deus, pecou gravemente. Cometeu adultério com Betsabé, esposa de um dos seus generais mais leais, depois mandou matar o esposo enganado. Zombou do próprio Deus, ao arrogar-se o direito abusivo sobre a vida e a morte em beneficio de seus desejos depravados, relativizando a realeza absoluta de Deus, única fonte do autêntico direito.
Isto merece um castigo. Porém, o rei reconhece seu delito e se manifesta humildemente arrependido. Mostra assim a profundidade de sua fé, apesar de seu pecado. Por isso Deus o perdoa. Davi ficará para sempre como o exemplo vivo do homem que, sobrepondo-se às suas misérias, se situa na dinâmica do divino que, sem desatender a justiça, aplica a misericórdia e o perdão a quem se arrepende.

Na segunda leitura, Paulo não cessa de combater a mentalidade quem impele o homem a pensar que graças às suas boas ações tem direitos diante de Deus. A religião, fundada sobre a obediência da lei e sobre um contrato “te dei, deves dar-me”, falseia a verdadeira relação com o Senhor. Este tipo de religião conduziu o judaísmo a rejeitar a mensagem de misericórdia de Jesus, para fechar-se em seu frio esquema da legalidade vazia. A fé transforma radicalmente esta mentalidade e nos abre ao amor divino tal como se mostrou em Jesus.

No evangelho, uma mulher se atreve a estragar uma sobremesa cuidadosamente preparada. A arrogante intrometida, não somente quebra as leis da boa educação, mas, além disso, comete uma infração de tipo religioso: um ser impuro não deve manchar a casa de um homem socialmente puro (um fariseu).
Por um momento Cristo perde sua dignidade de profeta aos olhos de seu anfitrião: “Se este fosse profeta, saberia quem é esta mulher que o está tocando e o que é: uma pecadora”. Diante da situação apresentada, Jesus utiliza o recurso dos sábios: o método socrático de induzir à conclusão correta a partir dos argumentos corretos. Em vez de corrigir o anfitrião, convida-o a sair de sua ignorância e a reconhecer que o verdadeiro pecador é ele; o fariseu que acredita ser puro.

A mulher não enganou ninguém: ela repetiu os gestos de sua profissão; a mesma atitude sensual que teve com todos os amantes. Porém, nesses tarde seus gestos não têm o mesmo sentido. Agora expressam seu respeito e a mudança de seu coração. O perfume, ela o comprou com suas próprias economias, o preço de seu “pecado”. E sem duvidar, rompe o frasco (cf. Mc 14,3), para que não seja recuperada nenhuma gota do preciso perfume. Uma vez mais, um gesto fino e elegante.

Surgem aqui duas dimensões da salvação. Por uma parte, aparece à liberdade, própria do amor. Nessa ceia o fariseu tem tudo previsto e preparado. Porém, basta que uma mulher, impelida por seu coração, entre sem ter sido convidada e a sobremesa munda totalmente. Por outra parte, o episódio revela a libertação oferecida por Jesus.

O Messias proclama, com seus atos e palavras, que o homem já não está condenado à escravidão da lei e de uma religião alienante. O cristão é um ser libertado sobre a base dessa fé, feito amor prático pregado por Jesus: “tua fé te salvou”. Na antiguidade as prostitutas eram consideradas escravas; socialmente não existiam.

Contudo, esta tarde uma prostituta escuta as palavras de absolvição e de canonização, pois fez o gesto simbólico, e expressa sua decisão de mudar de vida. Assim se coloca à cabeça do evangelho. Que outra coisa podem significar as palavras de Cristo: “teus pecados estão perdoados?” É a mesma coisa que dizer: “Maria, és uma santa”.

Oração: Ó mistério infinito, em quem cremos presente no processo da vida e na historia do cosmos… Faze que sejamos capazes de compreender que a força que tudo sustenta é o Amor e nós mesmos somente alcançamos a felicidade no amor. Nós te pedimos, apoiados no exemplo de Jesus, unidos a todos os homens e mulheres que te buscam por muitos caminhos. Amém.

Para a revisão de vida
- Que lugar tem o amor da minha vida interior, na minha vida espiritual, no sentido da minha vida?

- O que significa que "os seus muitos pecados estão perdoados porque ela muito amou"?


Oração da Comunidade
O infinito mistério, a quem apresentamos no processo da vida e da história do cosmos... Faça-nos capazes de entender que a força que mantém tudo o que é amor, e que nós mesmos só alcançarmos a felicidade no amor Nós pedimos isto apoiado pelo exemplo de Jesus, unidos com todos os homens e mulheres olhando para você os muitos caminhos. Amém.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

MESTERS, C.; OROFINO, F. Pé no chão, sonho no coração. Olhar no espelho das primeiras comunidades. Círculos Bíblicos dos Atos dos Apóstolos (1a parte: At 1,1 a 11,18). São Leopoldo: CEBI, 2001, 146 p.
MOXNES, H. A Economia do Reino: Conflito Social e Relações Econômicas no Evangelho de Lucas. Traduzido do inglês por Thereza Christina F. Stummer. São Paulo: Paulus, 1997, 166 p.
RICHARD, P. O Movimento de Jesus depois da Ressurreição: Uma Interpretação Libertadora dos Atos dos Apóstolos. Traduzido do espanhol por José Afonso Beradin. São Paulo: Paulinas, 1999, 223 p.
RIUS-CAMPS, J. O Evangelho de Lucas: O Êxodo do Homem Livre. Traduzido do espanhol por João Rezende Costa. São Paulo: Paulus, 1997, 363 p.
STORNIOLO, I. Como ler o Evangelho de Lucas: Os Pobres Constroem a Nova História. 5. ed. São Paulo: Paulus, 1997, 222 p.

Produzido por Valdeci de Oliveira-Biro
Coordenador do CEBI-Centro de Estudos Bíblicos-VR
Membro fraterno do CONIC: Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil. Comunicador do programa Palavra e Mensagem, na Rádio Sintonia do Vale 99,3 FM. Todo Domingo de 10 às 12 horas.



quarta-feira, 12 de junho de 2013

O rio como testemunha - Gleides – CEBI Nova Iguaçu - Dimensão de Ecumenismo

O rio como testemunha

O céu estava azul, sem nuvens que prenunciassem chuva.
As flores nos arbustos variavam do vermelho ao rosa. Não longe, quase perto, podia-se admirar pequenas elevações e se imaginar chegando ao seu topo.
Um cheiro gostoso chegava da cozinha enquanto um felino da cor da noite sem estrelas observava os visitantes. No tronco da árvore transformado em mesa depositamos nossos computadores e, claro, cadernos e canetas dos apegados ao “passado”.
Estudar, conversar, rir, divergir, suspeitar, ficar sem respostas e buscar algumas. Se alimentar da mesa farta de pão e alegria, gratidão e amizade.
Ao fundo tínhamos a companhia silenciosa do rio que corria devagar. Assoreado, mas resistindo. Dizem que ainda recebe a visita de garças que nele procuram alimento.
Foi assim o encontro promovido pela Dimensão de Ecumenismo, em Barra do Piraí, sobre Cristianismos Originários.
As primeiras comunidades cristãs povoam nosso imaginário de fé.
Será possível uma vivência tão rica em diversidade ser reduzida a um modelo pronto e fechado? Haverá o que se descobrir nas entrelinhas dos textos e da História e nas ausências perpetradas?
À noite caiu uma rápida e forte chuva. A natureza resiste ao previsível e está, quase sempre, surpreendendo.

Quanto a nós, precisamos buscar sermos surpreendidos.  

                                                             Gleides – Nova Iguaçu
                                                                    Dimensão de Ecumenismo         

Evangelho de João, o Caminho da Vida.- Fernando Henriques - CEBI-Méier



CEBI MÉIER
Comunidade Renato Cadore


Evangelho de João, o Caminho da Vida.



Fernando Henriques
coordenador


E a palavra se fez carne e armou sua tenda entre nós, e vimos sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade (João 1,14).

O evangelho não sinótico de João, de teologia descendente, é o resultado do testemunho do discípulo amado. “Este é o discípulo que deu testemunho dessas coisas e que as escreveu” (Jo 21, 24 a). Ele também pode ser aceite como testemunho da comunidade joanina, redação coletiva fruto da vivência daquela comunidade que encarnou e viveu o projeto de Jesus de Nazaré. “E nós sabemos que o seu testemunho é verdadeiro” (Jo 21, 24b).
Tradicionalmente o CEBI Méier dedica-se a um estudo bíblico de maior fôlego. Ano passado estudamos Marcos. Lucas já o havia sido à cerca de dois anos. Diante disso, e ouvida a Assembléia do CEBI em dezembro passado,  a coordenação propôs uma série de 7 encontros ao longo do ano, o primeiro deles a 6 de abril, titulado O Primeiro Sinal.

Outros quatro encontros ficam para 2014. Nossa reflexão se guiará pelo texto de José Bortolini, que procura mostrar que a prática de Jesus se resume num compromisso contínuo e pleno com a vida do povo que sofre. Por sua ação Jesus mostra qual é o projeto que Deus tem para toda a humanidade, judeu ou samaritano, grego ou romano, de qualquer etnia ou cultura.  Quem vê Jesus agindo, vê o Pai. Quem adere a Jesus e o segue, caminha ao encontro do Deus da Vida.

O evangelho de João fala de sete sinais. Mas o maior sinal do escrito joanino é o próprio Jesus dando a vida por amor, e indo até as últimas conseqüências. Segundo Bortolini esse é também o caminho das comunidades comprometidas com ele.

O quarto evangelho teria sido escrito por volta do ano 100, após quase 60 anos de elaboração oral e proto-escrita. Ele testemunha a caminhada difícil do povo de Deus. Sua redação final é posterior à destruição de Jerusalém e ao congresso de reorganização do judaísmo que expulsou os cristãos (seguidores do Caminho) das sinagogas.

Como se nos apresenta atualmente o texto nos fornece elementos de quatro fontes distintas, uma delas, chamada por alguns biblistas “Atos dos Apóstolos de João”. Podemos apresentar a estrutura do texto como segue:

a) Prólogo (1,1-18)
b) O Livro dos Sinais
     Primeira Semana (1,19-11,57)
     Segunda Semana (12,1-12,50)
c) O Grande Sinal (13,1-20,29)
d) Epílogo primeiro (20,30-31)
e) Apêndice: o dia que não termina (21, 1-23)
f) Epílogo segundo (21, 24-25).

Neste ano de 2013 o CEBI Méier, com esta série de 7 encontros, espera poder caminhar em direção a uma compreensão maior deste evangelho profundamente teológico em sua concepção, com o Logus apresentado já na criação do mundo. “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1,3). E esta mesma Palavra, este Verbo se fez carne e habitou entre nós, no grande mistério da encarnação de um Deus que se despoja de tantos atributos para viver a nossa miséria.

A força do texto de João é mostrada nos cerca de 23 bispos de Roma que adotaram esse nome. E foi o último deles que sob inspiração do Espírito convocou o concílio ecumênico Vaticano II, também objeto de estudo este ano por nossa comunidade.

O CEBI Méier convida a todos para fazermos juntos essa caminhada. Refletir sobre o Evangelho de João, mas também sobre a comunidade que lhe deu origem. Sempre aos sábados, das 8:30 às 12 horas.

Livro-texto: “Como ler o Evangelho de João – O Caminho da Vida”, José Bortolini, Editora Paulus, 6ª edição, São Paulo, 2003.




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